heart-pour-your-heart-outHá um texto da Maya Angelou que me toca muito e que demonstra bem como as pessoas se ausentam umas das outras no seu dia-a-dia.

Desde que o li já há alguns anos que sempre que me perguntam “Como estás?” eu digo a verdade. Se me sentir bem, digo que estou bem. Se me sentir um caco, digo que estou um caco. Tal como tento dizer sempre a verdade em tudo o resto na minha vida. Acredita, é francamente libertador 🙂

“A minha mãe, Vivian Baxter, avisou-me muitas vezes para não acreditar que as pessoas querem realmente ouvir a verdade quando perguntam:«Como estás?»Dizia que a pergunta era feita em todo o mundo em milhares de línguas, mas a maioria das pessoas era apenas uma maneira de meter conversa. Ninguém espera realmente receber uma resposta nem sequer está interessado em saber:«Bem, os joelhos doem-me tanto que parece que estão partidos e tenho as costas tão desfeitas que só me apetecia atirar-me para o chão a chorar.» Uma resposta desta serviria não para meter conversa, mas para acabar qualquer conversa. Por isso, respondemos todos:”Estou bem, obrigada.”

Acredito que é assim que aprendemos a ouvir mentiras “sociais”. Olhamos para amigos que emagreceram perigosamente ou estão horríveis de tão gordos e dizemos:”Estás com óptimo aspecto.” Toda a gente sabe que é uma mentira descarada, porque não queremos lidar com a verdade. Quem me dera que conseguíssemos acabar com estas pequenas mentiras. Não estou a dizer que temos de ser brutalmente francos. Acho que não há nada que justifique que sejamos rudes; no entanto, uma pessoa sente uma liberdade maravilhosa quando é honesta. Não temos de dizer tudo o que sabemos, mas devemos garantir que aquilo que dizemos corresponde à verdade.

Tenhamos a coragem de dizer às nossas jovens:«Esse cabelo todo mal cortado pode estar na moda, mas não é nada bonito. Não te favorece nada.» E digamos aos nossos jovens:«A fralda da camisa a aparecer por baixo da camisola não te dá um ar cool; faz-te parecer desmazelado e desleixado.» Os cabecilhas da moda de Hollywood decidiram recentemente que usar roupas amarrotadas e ter a barba por fazer era sexy porque dava aos homens o aspecto de terem acabado de levantar-se da cama. Estavam certos e errados. O ar desmazelado dá realmente a sensação de a pessoa ter acabado de sair da cama, mas esse ar não é atraente; é repelente.

As argolas no nariz, nos mamilos e na língua são muito prezadas pelos jovens ainda na idade de experimentar. Embora não goste de as ver, não me incomodam muito porque sei que, quando forem mais velhos, irão aderir às normas dos grupos sociais em que trabalham e vivem. As argolas vão desaparecer, e os jovens irão rezar para que os buracos desapareçam depressa para não terem de explicar aos seus filhos adolescentes por que é que aqueles buracos ali aparecem.

Vamos dizer a verdade às pessoas. Quando nos perguntarem «Como está?», vamos ter a coragem para responder com honestidade de vez em quando. No entanto, é preciso que saibas que as pessoas vão começar a evitar-te, porque também estão mal dos joelhos, dói-lhes a cabeça e não estão interessadas em saber das tuas dores. Mas vamos pensar assim: se as pessoas nos evitarem, vamos ter mais tempo para meditar e tentar descobrir a cura para o que está a afligir-nos.”

in Carta à Minha Filha de Maya Angelou

 

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