Em Janeiro, numa viagem de trabalho a Angola (no meu antigo trabalho) , enquanto aguardava por uma reunião deparei-me, num quadro de uma grande empresa angolana, com um poema lindíssimo que originou um movimento em mim de despertar.

Caminhos

Caminhos floreados
Caminhos forjados
Caminhos vastos e medonhos
Caminhos estreitos e belos
Caminhos verdes de esperança
Por onde andei com sapatos a brilhar
Esqueci-me que as meias estavam rotas
Corri saltando barreiras
Sem aperceber-me do sono profundo
Em que me encontrava
O fim da fila talvez seria
A minha meta
Porém
Há sempre caminhos
Lindos por trilhar


Kabudi Ely – Artista Plástico*

Quando li este poema, percebi que percorria um caminho saltando barreiras, já nem aparentemente feliz, e que por dentro a minha alma estava ferida. Os meus sapatos (com saltos de 10 cm) brilhavam, mas escondiam as meias rotas, uma alma ferida a esvair-se. 
Curiosamente, 6 anos antes, outra revelação de estar no caminho errado, e que mudaria a minha vida, tinha aparecido num sonho, também com uma metáfora de sapatos e meias velhas.

Quantos de nós não andam por aí de sapatos a brilhar por fora, mas de meia rota, num sono profundo? Ignorando os sinais que a vida vai dando, ignorando as diversas formas da alma ferida se exprimir?

Eu mudei de caminho. Para um que me faz feliz, que me torna mais leve, mais comprometida com a Vida.
E mudar de caminho pode não ser radical, pode ser só mudar aquilo que nos fere ou aceitar uma parte de nós e da nossa Vida.
Porque não?


Cláudia Félix Rodrigues

* Publicado com autorização do autor.

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