Há uns tempos partilhei num grupo com uma Mãe aflita a minha história de Amamentação.

Se és uma Mãe que por qualquer motivo esteja a SUPLEMENTAR com o teu leite ou com leite artificial, esta história pode inspirar-te.

O meu bebé fez um ano a 27/10. Comecei a dar Leite Artifical (LA) quando ele tinha 3 dias, tinha as mamas numa miséria e ele perdia peso (foi precipitada essa avaliação e eu no desespero apesar da info q tinha deixei-me ir) e a pega parecia boa, mas não era.
Só às 6 semanas foi diagnosticado freio labial, eu e a minha Conselheira em Aleitamento Materno (CAM), a Filipa Dos Santos da Amamenta Porto, desconfiámos sempre que houvesse freio lingual curto posterior, mas nunca ninguém o diagnosticou aqui na Suíça (algo muito difícil aqui tal como em Portugal). Bem, por má orientação no inicio nunca tive grande produção. Mas ainda hoje amamento!! Com muito esforço, dedicação e sem nunca usar chupeta ou biberão (tenho a certeza que teria acabado com a amamentação rapidamente!).
Dava o LA com seringa e aos 6 dias o Daniel rejeitou a mama. Entrei em pânico. A parteira que me ia ver a casa sugeriu então o sistema de nutrição suplementar da Medela. Foi o que nos salvou do desastre. A pega foi vista por outra parteira e especialista em amamentação. Parecia tudo bem…
Sentia-me a pior mãe do mundo. Abaixo de porcaria. E até sou uma pessoa cheia de autoestima e confiança… a maternidade desafia-nos mesmo para lá do que achamos que são os nossos limites. Chorei imenso. Desesperei.
Não podia ir com o miúdo a Portugal porque não tinha cartão de cidadão ainda. Aqui não encontrava respostas. A minha CAM, Filipa Dos Santos, passou horas comigo no skype e messenger a ouvir o meu desespero, a motivar e a ajudar o melhor que podia a distância. Para mim esta mulher foi enviada por Deus. Salvou-me nos meus momentos mais sombrios. E tive tantos. Tantos!
Tive imensas dores até aos 3,5 meses. Todos os dias pensei em desistir, 1000 vezes por dia.

E perguntava-me “se desistir hoje como me sentirei amanhã?”

A resposta nunca me deixava tranquila e não desisti.

Comecei a colocar objectivos, ate sábado, ate ao fim do mês, ate à próxima consulta…

Após o corte do freio labial às 8 semanas (detectado pela terceira parteira e especialista) melhorou um pouco as dores. Mas nada de mais.
O meu bebé chegou a mamar 800ml por dia. Seria muito pouco LM que mamava. Mas sempre com o suplementador. Nunca este miúdo conheceu um biberão.
Dei muita tareia ao suplementador porque aquilo não funcionava bem sempre… bem que uma das mães que mais me apoiou e acarinhou me avisou que isso ia acontecer. De vez em quando conseguia reduzir o LA, mas depois aumentava. E lá vinha a frustração e “a pior mãe do mundo”.
Após o corte do freio labial, ia fazendo exercícios deitando a língua de fora e que ele tentava imitar para criar flexibilidade na língua. Acho que foi por essa altura que me rendi à evidência que não era suficiente para o meu filho. Qualquer mãe que tenha querido muito amamentar em exclusivo e não conseguiu pode imaginar como me senti. Só quem o vive consegue realmente entender o quão profunda é esta ferida.
Pelos 3 meses uma CAM portuguesa pede-me para falar com uma mãe aqui da Suíça que estava com as mesmas indicações que eu… tinha saído da maternidade com biberão já. Ela estava com as mesmas indicações q eu tinha tido… um caminho garantido para o desastre. Falámos e consegui ajudá-la. Mais tarde ela recorreu também à Filipa Dos Santos que a ajudou e ainda hoje amamenta.

Este contacto com esta Mãe deu sentido ao que eu tinha passado e ainda passava.

E deixei de me render. Começou a crescer em mim a vontade de voltar a procurar soluções.
O cartão de cidadão do miúdo chegou no dia a seguir e para mim foi um sinal! Marquei viagem para Lisboa e consulta para a Dra. Mónica Pina. A Dra. Mónica tem imensos bebés com baixo peso, mas que são saudáveis. Porque há bebés que têm baixo peso mas são saudáveis.. O meu peso pesado era a excepção (até brincamos com isso porque lhe ia “estragar” a média).
Nessa altura ela achava q já não valeria cortar o freio porque ele já tinha bastante flexibilidade por causa de 4 semanas de exercícios a brincar que fui fazendo. Ainda hoje me deita a língua de fora o miúdo. Mas saí de lá com o meu coração mais calmo.
A Mónica disse-me algo muito importante para mim:
AMAMENTAR É APENAS UMA PARTE DA MATERNIDADE.
E isso fez-me pensar que afinal não era eu que não era suficiente para o meu bebé. Olhei para o que nos estava a acontecer de outra forma.
Se o meu filho só mamava X do meu leite então era isso que ele precisava de mim.

EU TINHA TUDO O QUE ELE PRECISAVA DE MIM. EU ERA SUFICIENTE!

Outra coisa que ela me disse era que o LA que eu dava por vezes era mais para mim do que para ele. E realmente as minhas inseguranças ditavam que eu desse mais LA. E efectivamente tenho visto nos grupos muitas Mães que dão mais 30ml depois de uma ou outra mamada e pergunto-me se não são os 30ml da segurança da mãe. Fica aqui o alerta.
Se dás suplemento ao teu bebé, fala com a tua CAM para tentarem perceber se o suplemento é pelo bebé ou “para ti”.
Definimos então nessa consulta que o objectivo seria reduzir o LA gradualmente e conseguir o exclusivo após a introdução da alimentação complementar. Fui aplicando a estratégia definida o melhor que podia (não conseguia usar a bomba… perdia horas naquilo de noite para tirar 20ml quando eu precisava era de dormir). Andámos assim uns meses entre reduzir LA e aumentar… mas rapidamente passamos de 800ml para 500 (eu acho que aqueles 300ml que reduzimos rapidamente eram os tais “para mim”). Depois baixamos para 400ml. E parou ali por muito tempo.

Eu estava mais relaxada e a desfrutar do meu bebé e da maternidade. E isso era tão bom!

Não ia deixar q o LA me retirasse isso. Não ia mesmo. Chegámos aos 200ml nem sei bem em que altura .
Com a introdução da AC pelos 5,5 meses, fomos reduzindo o LA cada vez mais. E nas férias quase não pedia… e quando regressamos à Suíça, passado uns dias dos 8 meses, apercebemo-nos que há uma semana q não dávamos LA. CONSEGUIMOS! Hoje com quase 16 meses ainda mama.
Sei que fiz o melhor . O que me foi possível perante as circunstâncias que tinha.
Estou a estudar para ser também CAM porque isso dará mais sentido à nossa história de amamentação: a minha e do meu filho.
Para mim, foi imprescindível o apoio continuo da minha CAM e incondicional do meu marido.

PARA QUEM ESTÁ NESTE CAMINHO DA RELACTAÇÃO, MANTENHAM-SE EM CONTACTO COM A VOSSA CAM. Elas existem para nos apoiar e adoram acompanhar as “suas” mães e bebés!

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