Pregnant Woman Holding Pink Gerbera FlowerDesde que anuncei a minha gravidez que muitas mulheres dos 30 aos 40 anos me comunicaram o receio de deixarem passar o tempo e que seja tarde demais. Entendo-as muito bem porque passei pelo mesmo.

Na verdade este artigo já estava escrito há algum tempo, mas esperava a melhor altura para o publicar. Espero que vos inspire a todas.

Depois de um 1º trimestre de humores e sinais biológicos distintos, de felicidade e de incredulidade, de extâse e de aprendizagem comecei a sentir que precisava de escrever sobre a minha experiência de engravidar aos 41 anos. São as minhas dicas e que funcionaram para mim.

Começámos a falar em engravidar há 1 ano na altura em que me mudei para a Suíça. Estamos agora com 18 semanas sem qualquer problema comigo ou com o bebé.

A dificuldade de engravidar é proporcional à nossa facilidade de “emprenhar pelos ouvidos”

chimphearnoevilForam imensas as pessoas (mesmo mais próximas) a dizerem que seria difícil engravidar por causa da minha idade (como se a do pai não tivesse também importância e como se uma mulher de 40 anos já estivesse seca e acabada…). A dada altura comecei a cortar esse tipo de conversa com estatísticas e com dados de estudos recentes, inclusivamente que mamíferos em laboratório produziram novos óvulos… Achei muito curiosa a forma como as pessoas que nos aterrorizam daquela maneira (cheias de boa intenção, claro) gostam também de ignorar esses dados e estatísticas porque não encaixam naquilo que pensam e nas suas crenças (fico sempre a perguntar-me o porquê desta atitude).

Eu acredito realmente na influência da mente no corpo e a minha mente decidiu ignorar em absoluto estas conversas e afirmar constantemente que o meu corpo é sábio e fértil (publiquei aqui a minha lista de afirmações para engravidar). Comecei até a responder às pessoas “as minhas células não querem ouvir isso!!!”

Bem sei que essas pessoas podem ter as melhores intenções, mas desde quando o terror, a desesperança são motivadores e carinhosos?

Em bom português, se não tens nada de inspirador para dizer, cala-te!

Se tu estás nos “entas” e queres engravidar, aprende a ficar surda! É importante! Nutre-te com o que te inspira e motiva. Segue o teu sonho. Não a qualquer custo, mas ao preço que tu e o teu companheiro, individualmente e como casal, como equipa, estão dispostos a pagar. Respeita-te.

Isto leva-me ao ponto seguinte:

A tua sabedoria natural e inteligência ou a opinião dos especialistas?

Ressalvo já que sou totalmente a favor de se trabalhar com os médicos em equipa. Mas é isso EM EQUIPA!!! Vou repetir EM EQUIPA!!! Os médicos têm a obrigação de nos dar a informação que têm e nós temos a obrigação e o direito de fazer as perguntas que acharmos necessárias para tomarmos decisões conscientes e informadas. E temos o direito de procurar alternativas que nos respeitem e dignifiquem.

Vou contar-te o que aconteceu comigo. Ainda com a minha médica portuguesa, mesmo antes de vir para a Suíça, fiz análises hormonais e o meu marido (numa viagem a Portugal já que ele estava já a viver na Suíça há 6 meses) fez um espermograma. As minhas análises resultaram em ligeiras variações hormonais que poderiam dificultar a ovulação e a implantação do embrião. Receitou-me hormonas (umas que mais tarde soube serem comummente receitadas como se fossem água como se não tivessem consequências demais – o que não é verdade!!!). A médica disse-me logo naquela consulta que se não funcionasse teriamos que ir para fertilização. Eu nem queria acreditar que a minha médica extraordinária de há 15 anos me estava a preparar para algo assim, quando nem tínhamos começado a tentar! Disse-lhe também de imediato que isso nunca iria acontecer. Encostou-se na cadeira de braços cruzados e perguntou-me “Porquê?”. Respondi-lhe determinada “Respeito quem o faça, mas sei como é violento para a mulher e o meu corpo não está disponível para essa violência.” Aceitou (acredito que pelo meu tom determinado e informado), mas senti que não concordava. Ora isso não devia acontecer, já que é mais uma forma de pressão. Nós temos o direito de fazer as nossas escolhas sem pressões.

Ao meu marido foi indicada a visita a um urologista porque a contagem era baixa e, mais tarde, com uns resultados e análises feitas também naqueles dias, quis receitar uns químicos. Não os tomou como é óbvio porque a minha intuição me disse que não era para tomar.

Durante 2 meses tomei as tais hormonas. Sentia-me inchada e dorida durante a ovulação e uma semana antes da menstruação, com períodos de 1 semana inteira e um “humor da pior cabra nos seus piores dias” (desculpem não encontro outra definição). Senti-me em luta com o meu corpo!! E na verdade a sentir-me daquela maneira, nem sequer conseguíamos tentar ter relações sexuais (creio até que o meu marido, por amor à sua vida, tentava passar o mais despercebido possível). Comuniquei à médica que não iria continuar. Disse-lhe claramente que queríamos ter filhos, mas não a este preço, não em luta.

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Pesquisa, descobre o que há por aí

Somente 5 meses depois consegui regularizar a minha menstruação para uma duração mais curta através de acunputura e concepção natural. Nestas consultas ensinaram-me a medir a temperatura basal, a reconhecer o muco fértil e infértil e a entrar em sintonia com o meu corpo. O quanto vale este conhecimento?!! Isto devia ser-nos ensinado na 1ª visita ao ginecologista!

Quanto ao meu marido, nunca tomou aquelas porcarias que receitaram, apenas umas vitaminas e nada mais. Soube depois pela acupuntora que não admirava que os valores dele tivessem sido baixos. A colheita do esperma tinha sido feita após uma semana intensa de trabalho pré-férias e após um dia de viagem cansativo. Se a contagem fosse boa é que seria de admirar!!! Ela diz para se fazer o espermograma depois de uns dias de descanso (tomem nota disto)

Da mesma forma, o ligeiro desequilibrio hormonal que eu tinha era absolutamente normal. Tinha estado 8 meses em stress emocional e físico. Com o desemprego do meu marido e posterior emigração. Viagens mensais à Suíça, preparação da minha emigração, 2 meses doente (de saudade tal como conto aqui)… ufa! Os factores emocionais não foram levados em conta na análise feita pela médica (e não é a única como sabemos!).

Com isto tudo o que quero dizer é. Não podem, não têm o direito de fazer parecer que os tratamentos hormonais são inofensivos. É verdade que as pessoas reagem de forma distinta, mas é obrigação dos médicos advertir do que pode acontecer! E é nossa obrigação fazer as perguntas todas e complementar a informação por outras vias.

É também nossa obrigação seguirmos o nosso sentir. Com a informação médica, com a nossa experiência de vida e conhecimento aprofundado do que se passa connosco, nós somos as maiores especialistas do nosso corpo!!

Claro que mudei de médica. Fomos um excelente equipa durante muitos anos, mas para a maternidade esta médica não seria boa para mim. Temos esse direito, sabiam? Escolher os melhores médicos para os nossos objectivos e que respeitem as nossas escolhas.

Criar as condições para que o teu corpo possa fazer o que sabe fazer

Em Setembro, entro na consulta de acupuntura e concepção natural e digo que estamos a tentar engravidar desde Abril. E ela pede-me que lhe relate a minha vida desde Abril.

Emigro para a Suíça. Burocracia. Adaptação a novo país e a língua quase desconhecida. Maior isolamento. Preparação da mudança para nova casa.  Compras para a casa nova, montagem da casa nova, mudança para a casa nova. Decidimos casar em Agosto.  Viagem de trabalho a Portugal de 3 semanas intensíssimas. Preparação para exames da universidade que acabei por não fazer porque tinha muito trabalho. Preparação do casamento, provas de vestido, etc. 5 exames da faculdade com tudo o que isso implica. preparação do casamento.  Viagem a Portugal, casamento, 3 dias de lua-de-mel e volta à Suiça. Mais exames da faculdade. Ser mulher, dona de casa, profissional ao mesmo tempo…

Cansa só de ler, não é?!

A pergunta dela foi: Achas mesmo que tiveste a tentar?

A fertilidade necessita de paz e de tempo.

E essa foi a lição que tive: Se queres um filho, tens que cuidar da mãe do teu filho. Tens que criar tempo de serenidade para ti e também para ti e o teu companheiro. Eliminar o que não te nutre e fazeres o que te dá prazer também.

Todas as pessoas acham que andámos a tentar 1 ano (e acham que tinham razão quando diziam que ia ser difícil). Nós sabemos que não foi 1 ano. Sabemos que, dadas estas circunstâncias, na prática tentámos apenas 3 meses e sem muito esforço. E isso não me parece “difícil”.

Rodeia-te de apoios inspiradores e motivadores e apoia-te a ti mesma!

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Eu grávida de 17 semanas

1 – Há cerca de 1 ano juntei-me a um grupo do facebook da Associação Doulas de Portugal onde uma grande comunidade de mulheres (e alguns poucos homens – ainda) se apoia mutuamente, empoderando-se. Bebi da energia criadora destas mulheres fantásticas, aprendi com elas sobre gestação e amamentação, sobre o luto de filhos não nascidos, sobre um sistema caduco – que muda dolorosamente devagar – que infantiliza as mulheres grávidas, sobre formas mais naturais, respeitosas e amorosas de parir, sobre maneiras mais amorosas e fluídas de cuidar dos bebés. Acima de tudo aprendi que:

A Sabedoria Feminina quando partilhada torna-se mais forte e dá-nos Poder! Sobre nós mesmas e sobre aquilo que fazemos há milhões de anos!

Grata a todos os que comigo caminham nesse grupo. Estão no meu Coração!

2 – Comecei a ouvir com alguma regularidade (menor do que deveria, é verdade) uma meditação da Circle & Bloom para cada um dos dias do ciclo que ajuda a regularizar o ciclo e a relaxar quanto aos resultados.

3 – De há 6 meses para cá, comecei a privilegiar a comida biológica e o mais fresca possível. É mais cara? Em Portugal, sim. De qualquer modo isso é equilibrado por ter reduzido imenso a carne vermelha (1 vez a cada 2 semanas, se tanto), também a outra carne e em vez de substituir por peixe (que como 2 vezes por semana) comecei a comer mais proteína vegetal.

Curiosamente no dia que engravidei, o meu corpo começou a rejeitar a carne de todo e nessa semana – ainda sem perceber o que se passava – comecei a aprender a cozinhar comida mais vegetariana, super-colorida e a divertir-me imenso ao fazê-lo (meto música na cozinha, danço e canto…).

4- Também nesse mesmo mês tinha começado a tomar raíz de maca que é considerada a raiz da fertilidade do Perú.

5 -Uma semana antes de engravidar fiz uma leitura de aura feminina com o João Pires que ajudou a limpar a energia dos orgãos femininos e chamou-me a atenção para alguns aspectos a trabalhar. ADOREI E RECOMENDO!!! E ter sido feito por um homem (contra as metodologias habituais) foi maravilhoso para mim. Profunda gratidão, João!!

6 – Deixei de tirar a temperatura basal (descobri que me punha mais ansiosa). Porém o estudo da mesma que tinha feito  durante 3 meses permitiu-me conhecer os sinais do meu corpo, como o muco vaginal que é uma grande fonte de informação. E faz-nos reconectar-nos com o nosso ciclo, com a nossa natureza fêmea!

7 – Como até estou numa fase extremamente criativa a nível profissional, dediquei-me ao que tinha a fazer. Uns dias antes de engravidar, trabalhei imenso e diverti-me imenso com amigos. Saboreei a vida em todas as suas vertentes. Sentires-te viva, gera mais vida, qualquer que seja a sua forma!

Relaxar e enamorarmo-nos (outra vez!)

transferir (11)Há uns 2 anos uma colega mais velha disse-me “um filho concebe-se com paixão“. E eu acho que foi mesmo assim. Cheguei de uma viagem de 3 semanas a Portugal e foi nesse dia que este bebé foi concebido. Com a energia do reencontro. Esse enamoramento criativo e criador 🙂

Relaxei tanto que até me esqueci de quando acabava o meu ciclo 🙂 Já tinha dias de atraso quando fiz o teste, apesar de até já ter outros sintomas aos quais não liguei muito. Já as gatas sabiam e comportavam-se de forma diferente da habitual há uns dias quando fiz o teste. Foi um momento mágico!

E vai haver 2ª ronda…

Ora é verdade, queremos ter mais um filho pelo menos. Os meus irmãos são companheiros de vida e é isso que quero para os meus também. Que tenham alguém que comparta as mesmas raizes e as mesmas histórias.

E que ninguém me venha dizer que aos 43 ou 44 é difícil. Difícil é ouvir barbaridades que nos tiram poder. Difícil é calar os “velhos do Restelo” cheios de achismos e de senso comum.

Difícil é aquilo que queiramos que seja. Para mim engravidar é fácil. Ter um bebé saudável é fácil. Ter o meu corpo pronto para o parto é fácil.

Pode haver mais riscos na minha idade, mas até hoje não me explicaram um único risco que mulheres mais novas não tenham.

Estar ao serviço da Vida requer contacto com a Morte. É esse o preço de estar Viva!!!

E que oportunidade magnífica é esta de viver!

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