Quando alguém que nos é querido morre (pessoa ou animal), as pessoas dizem-nos, muitas vezes, que a vida continua. Por dentro sabemos que não continua, sentimos que nada será igual e vemo-nos obrigados a seguir em frente por obrigações ou pressões familiares e sociais, mesmo que com o coração partido em 1.000 bocados irreparáveis.

Na nossa sociedade preparam-nos para o nascimento, mas não para a morte. Falar sobre a morte, a dor e luto é quase um tabu, apesar de ser o destino de todos. O que acontece quando se fala da morte é que cada um de nós se vê confrontado com a sua própria mortalidade e com as suas próprias perdas. Então, empurramos com a barriga fingindo que não existe.

A verdade é que quando alguém que nos é querido morre, a vida não continua!

A vida como nós a conhecemos com aquela pessoa/animal fisicamente perto de nós acabou.

Mas começa uma nova vida sem aquela pessoa/animal presente fisicamente. Porém, ela/ele vive em ti, nos valores que te passou, nas memórias que te deixou.

No início é algo novo, muito novo, até porque, com frequência, não temos com quem falar abertamente sobre a dor que nos assola. Fica tudo reprimido. Não nos é permitido viver o luto saudável. Mais ainda se for um animal, que para muitos é “só” um animal, mas para nós pode ser um membro da família, o nosso melhor Amigo.

É importante vivermos o luto, não empurrarmos a nossa dor para lugares escondidos de nós, fingindo que a vida continua.

Nós precisamos de viver as perdas.

Mesmo acreditando que aquela pessoa/animal continua viva de alguma forma, há uma perda física. Faltará sempre o abraço, o toque, as rotinas que tínhamos entre nós… Por isso, há sempre uma perda a algum nível. E no dia em que sentimos falta do abraço, do toque, precisamos de mergulhar nesse sentimento, não podemos reprimir a saudade. Para viver um luto saudável.

Ao viver o luto e ao integrarmo-nos na nossa nova vida, com o tempo começamos a perceber que quem morreu permanece vivo dentro de nós. Vamos descobrindo em nós mais qualidades da pessoa/animal que partiu, mais memórias, sorrisos e o sentimento de profundo amor.

A morte é apenas uma perceção nossa. Para quem morre, há uma mudança de perceção (isto daria um livro). Para quem fica, podemos encarar a morte do outro como perda ou como um marco em que podemos celebrar a sua e a nossa vida e acarinhá-la no nosso coração como um tesouro.

E não, não é o tempo que irá curar.

É o que fazes com o tempo que passa que cura.

Haverá dias mais difíceis e progressivamente haverá dias mais fáceis, em especial se escolheres olhar para a vida de quem partiu. Com frequência, focamo-nos na morte da pessoa (que é apenas um momento) e na sua ausência, quando temos anos, décadas para nos lembramos e honrarmos.

A melhor forma de honrarmos a vida de quem partiu é olhar para a sua vida. Quem parte deixa-nos muito mais do que saudade. Deixa-nos uma vida a honrar, a recordar. Por isso segue viva em nós.

Se perdeste alguém de quem sentes falta e procuras um motivo para viveres a tua vida em pleno, sugiro-te um exercício dado por Carola Castillo:

1- Imagina que na sala ao lado da sala do lugar onde estás estão todos os seres que te são queridos e que já morreram. Estão às escuras, sem luz.

2- Imagina que cada coisa que concretizas na tua vida faz com que se acenda uma vela na sala ao lado. 🙂

 

A Louise Hay e David Kessler no livro “You Can Heal Your Heart” dizem:

“Se o Amor é Real, o Luto é Real”

e por isso deve ser também vivido lembrando-nos que um coração partido é um coração aberto.

Eis algumas afirmações desse livro (que adaptei nalguns casos) para te apoiar no teu processo de luto:

Para libertar e honrar
  • O meu amor vai rodear esta pessoa onde quer que ela esteja,
  • Eu liberto-a com todo o meu amor.
  • Eu lembro-o a/o _______________ com amor.
  • Eu celebro o seu aniversário com gratidão e amor.
  • Eu celebro o meu nascimento e a minha mãe/pai que me deu a vida.
  • Hoje honro a minha mãe/pai/gato/cão.
  • Eu vou encontrar alegria na vida em honra da vida de _______________ .
  • Eu escolho honrar o amor e a vida.
  • Eu lembro-te com todo o meu amor.
  • Eu cresço com esta experiência.
  • O luto com amor cura.
  • Eu entrego a minha raiva a Deus/Universo/Vida para que seja curada.
  • As nossas almas estarão sempre unidas além do plano terreno.
Para lidar com a culpa ou suicídio
  • A minha vida é a única pela qual sou responsável.
  • A minha vida é um dom.
  • Eu liberto-me e sou gentil comigo mesma.
  • Eu entrego a minha culpa a um Poder Maior.
  • Ele/ela encontrou a sua paz.
  • Ele/ela fez o que quis da sua vida.
  • A sua alma agora está livre.
  • Eu reconheço que a viagem da alma de _______________ está a acontecer exatamente como previsto.
  • Eu perdoo _______________ por se ter ido embora.
  • Eu perdoo-me por o ter deixado ir embora.
  • Eu perdoo _______________ por tudo o que eu sinto que tenha feito nesta vida.
  • Eu perdoo-me por tudo que acho que devia ter feito e não fiz.
  • Eu perdoo-me completamente por tudo.
  • Eu reconheço que só o amor é real.
Para lidar com partida de um animal de estimação
  • Eu perdoo-me a mim mesma e liberto-nos aos dois.
  • Eu escolho focar-me nas bênçãos e amor incondicional que   _______________ nos deu.
  • Eu recordo com amor todas as bênçãos que   _______________ me deu.
  • Agradeço todas as experiências que partilhámos.
  •   _______________ estará sempre rodeado pelo meu amor.

 

“A morte termina com a vida, não com o relacionamento”

Mitch Albom

Este artigo é dedicado aos meus dois maiores professores na morte, o meu Pai que partiu há 10 anos, e a minha gata Shanti, companheira de 11 anos que partiu há 2 dias. Saudades, amor e gratidão.

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