Poderia comentar a diferença entre o amor-próprio saudável e o orgulho egoísta?

Há uma grande diferença entre ambos, ainda que pareçam muito semelhantes. O amor-próprio saudável é um grande valor espiritual. A pessoa que não se ama a si própria jamais poderá amar os outros. A primeira agitação do amor tem de crescer no seu coração. Se não cresceu para si não pode crescer para mais ninguém, porque todos os outros estão demasiado afastados de si.

Devemos amar o nosso próprio corpo, devemos amar a nossa própria alma, devemos amar-nos na totalidade. E isto é natural; de outro modo, não poderá sobreviver. E é belo porque o embeleza. A pessoa que tem amor-próprio torna-se graciosa, elegante. A pessoa que se ama está destinada a tornar-se mais silenciosa, mais meditativa, mais piedosa do que aquele que não se ama.

Se não amar a sua casa, não a limpará; se não amar a sua casa, não a pintará; se não a amar, não a rodeará de um bonito jardim com um lago de nenúfares. Se se amar a si mesmo, criará um jardim em torno de si. Tentará fazer crescer o seu potencial, tentará exprimir tudo o que em si existe para ser expresso. Se se amar, você continuará a regar-se, você continuará a alimentar-se.

E se você se amar ficará surpreendido: outros irão amá-lo. Ninguém ama alguém que não se ama. Se não se amar a si mesmo, quem se dará ao trabalho de o fazer?

E a pessoa sem amor-próprio nunca poderá ser neutra. Lembre-se de que na vida não há neutralidade. O homem que não se ama a si mesmo, odeia – tem de odiar; a vida não conhece neutralidade. A vida é sempre uma escolha. Se você não amar, isso não significa que possa ficar, simplesmente, num estado de não-amar. Não, você odiará. E a pessoa que se odeia torna-se destrutiva. A pessoa que se odeia irá odiar toda a gente – tornar-se-á agressiva e violenta e estará continuamente enraivecida. Como pode a pessoa que se odeia esperar que outros a amem? Toda a sua vida pode ser destruída. Amar-se a si mesmo é um grande valor espiritual.

in Amor, Liberdade e Solidão de Osho

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